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Azinhal Abelho

Nome/Pseudónimo: AZINHAL ABELHO/ JOAQUIM AZINHAL ABELHO

Nasceu  em: 1916, ORADA, BORBA

Faleceu em: 1979-01-20, LISBOA

Observações: Formado em Letras em Lisboa, foi um poeta de cariz popular. Fundou, com Telmo Felgueiras, a revista "Mensagem". Foi cineasta, ficcionista e dedicou-se também ao estudo do teatro popular. Publicou contos, novelas, peças de teatro, ensaios, etc. Com o filme "Alentejo não tem Sombra" foi-lhe atribuído o Prémio Paz dos Reis. Fez ainda uma recolha de contos dramáticos de raiz popular em seis volumes a que deu o nome de "Teatro Popular Portugês" - 1968-1973. Em 1936 obteve o Prémio Antero de Quental do Secretariado Nacional de Propaganda com o livro de poesia "Confidências de um rapaz provinciano".

Obra Literária:
1935 - Solidão... Ai Dão
1936 - Confidências de um Rapaz Provinciano
1939 – Victorial
1941 - Epopeia Vulgar


COMOÇÃO RURAL

Já não há quem queira dar
uma filha a um ganhão...
Senhor Pai, senhora mãe,
que grande desolação.

Já bati a sete portas
por mais de mil e uma vez;
Vá-se embora seu ganhão,
disseram com altivez…
A minha filha é prendada,
não é para qualquer tunante,
sabe ler, sabe escrever
e todo o seu consoante.
O que é que tem um ganhão?
Um azinho dum pau torto;
só vive das tristes ervas,
não tem onde cair morto.

Os olhos já não são olhos,
estão desfeitos em chorar,
porque a um pobre ganhão
já não há quem queira dar
nem mulher para dormir
nem a filha para mulher;
nem quem o ajude a vestir,

nem quem o ajude a morrer.
Ramos secos, estéreis flores,
pedras de arestas cortantes
perdidas num vendaval,
perdidas numa aflição…
Eu já não posso gritar;
Senhor Pai, senhora Mãe,
que grande desolação
nestes matagais com longes,
aonde os anjos se afundam
em humus e punição!

 

Outros poetas:

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