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Maria de Lourdes Agapito
MAR
Sinto-me um nauta perdido,
solitário marinheiro,
trago o mar no meu ouvido,
nos olhos o Mundo inteiro.
Sinto-me um nauta perdido,
dentro de mim, sem veleiro,
que não me sai do sentido
o mar, amor verdadeiro.
Como gaivota voando
por sobre mar, na distância
vejo o mar e eu, brincando
na praia da minha infância.
Mar de calma e tempestade,
mar de encanto e nostalgia,
mar de tristeza e saudade
vivo na minha poesia.
[Madrigal para a vida:
poemas]
À janela do meu peito
sinto o coração bater,
a bater com muito jeito
para aprender a viver.
Fez-se rainha do mundo
Lisboa muito moderna,
de pequena não tem fundo
mas sua história é eterna.
Ó noite das boas-noites
que eu desejava sem fim;
ó meu amor não te afoites
passar a noite sem mim.
Neste mundo vagabundo
quero um mundo sem rancor,
um mundo que, lá no fundo,
seja um mundo só de amor.
[Por dentro do Mundo]
Santo António laboroso
gosta das bilhas quebrar,
para depois, carinhoso,
ir as bilhas concertar.
Mesmo calado me ensinas
tanta, tanta simplicidade,
e nas coisas pequeninas
que existe grandiosidade.
Que a vida te possa pagar
os calos que tens nas mãos,
já grisalho, ao regressar,
deixaste os filhos e irmãos.
Chega o dia, hora-razão
que se vai fortificando,
de geração para geração
Camões de pé vai ficando!
[Por dentro do Mundo]
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