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Nome/Pseudónimo: MANUEL ALEGRE / MANUEL DE MELO DUARTE
Nasceu em: 1936-05-12, ÁGUEDA
Faleceu em:
Observações:
Estudou Direito em Coimbra. Exilou-se em 1964 por razões políticas e regressou em 1974 dedicando-sa à actividade política. O seu primeiro livro foi publicado em 1964; a sua poesia inspira-se na luta pela liberdade, na guerra em África, o drama dos emigrantes, o exílio e a resistência. Colaborou na revistas coimbrãs, A Poesia Livre (1962) e Poemas Livres (1962-1963). Escreveu em 1989 o romance "Jornada de África" e o livro de contos "O Homem do País Azul". Muitos dos seus poemas têm sido musicados e cantados por fadistas e cantores de música ligeira.
Obra Literária:
1964 - Praça da Canção
1967 - O Canto e as Armas
1979 - Nova do Achamento
1981 - Atlântico
1984 - Chegar Aqui
1998 - Senhora das Tempestades
QUINTO POEMA DO PESCADOR
Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.
Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber se Deus
é sim ou não.
AS MÃOS
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
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