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Amândio César
CAMISA VELHA
Mãe! Vesti uma camisa
nova
da velha camisa que vestiu meu Pai
Dizem que a luta é ali na rua.
- Vou ou não vou?!
- Filho, vai!
Dizem para eu ter cautela,
que o inimigo é feroz e desumano
e que foi ele que matou meu Pai.
- Vou ou não vou?!
- Filho, vai!
Ameaçam de punhos
fechados
ou empunham foices e martelos
e ai daquele que nas mãos lhes cai.
- Vou ou não vou?!
- Filho, vai!
Vai! Com a camisa velha
que antes de ti a vestiu teu Pai
e com ela vestida, se foi a combater
vai! Que as últimas palavras,
camisa vestida, foram para ti:
- Diz ao nosso filho que saiba morrer!
Partiu. Partiu e nunca mais
voltou
Para estar presente na alvorada que nascia:
morreu por aquilo que lutou,
por que nascesse um novo dia!
O novo dia em que tu vestiste
a camisa nova que foi de teu Pai.
- Não tenhas medo.
A teu lado vai
a presença do exemplo
que te deu teu Pai:
-Meu filho! Veste essa camisa
e vai!
ARCO DOS VICE-REIS
[ao General Fernando Santos
Costa]
Senhor Dom Vasco da Gama!
Pelo arco de granito onde tu estás
Passei reverente e abismado
Olhando o futuro do passado!
Lembrei-me do Poeta que te
adivinhou
E não te viu,
Mas que te pressentiu
Em mármore talhado.
Júlio Simão
te desenhou
E fez.
Ontem e hoje,
Abandonado,
E triste
No descampado,
És o Arco do Triunfo português.
[Não posso dizer
adeus às armas]
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