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António de Almeida Matos
RECEITA
Tome-se um pouco de amor
e de saudade
Um mar sem fim e uma Pátria antiga
Histórias de heroísmo e santidade
Uma viola, timbres de cantiga
Velas de barco e ventos de
aventura
E no louvor a Deus e ao passado
Que trace em nós as rotas do futuro
Essa cantiga passa a ser o fado.
Junte-se um cheiro de pimenta
e de canela
E o mistério dos mares a descobrir
Prenda-se aos olhos o brilho de uma estrela
Com rosa de oiro sempre a florir
Sirva-se depois mas com recolhimento
À luz de velas ou prôa de veleiro
Na voz que o canta há só um
sentimento
Que no fado caiba Portugal inteiro.
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