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Vasco Graça Moura
CRÓNICA
Eram barcos e barcos que
largavam
Fez-se dessa matéria a nossa vida
Marujos e soldados que embarcavam
E gente que chorava à despedida
Ficámos sempre ou
quase ou por um triz
Correndo atrás das sombras inseguras
Sempre a sonhar com índias e brasis
E a descobrir as próprias desventuras
Memória avermelhada
dos corais
Com sangue e sofrimento amalgamado
Se rasga escuridões intemporais
Traz-nos também nas algas enredados
E ganhou-se e perdeu-se a
navegar
Por má fortuna e vento repentino
E o tempo foi passando devagar
Tão devagar nas rodas do destino
Que ou nós nos encontramos
ou então
Ficamos uma vez mais à deriva
Neste canto que é nosso próprio
chão
Sem que o canto sequer nos sobreviva.
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