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Nome/Pseudónimo: EUGÉNIO RIBEIRO ROSA
MARRAQUEXE
Não havia neve. Nem era de prever
Naquela altura
Mas, mesmo assim, Marraquexe estava
No esplendor de Cidade Imperial.
As muralhas com historia
o ocre avermelhado habitual.
As portas que a memória
Guardará na beleza monótona sem data.
Koutoubia de Abd. el Moumen,
O Palácio Bahia, a evocar Lyautey
O mausoléu de Ahmed el Mansour
E tanto, tanto mais a recordar
Horas de glória, de vingança ou dor.
Que nos espanta e relata,
Na arte a transbordar
De um povo.
Povo de povos, que agora sei
Melhor valorizar.
As flores marginando as avenidas
- Recordo a de Hassan, o sexto,
Inserto no contexto,
Em que há jardins de Allah.
Palmares por todo o lado,
Citrinos, olivais...
A Praça Djemar el Fna,
Que a memória não mais esquecerá,
Na sua impar movimentação,
Teatro do mundo, de cor, sempre gritante
"Souk" gigante,
um "must" por demais !
E o contraste dos campos circundantes,
Casas também de adobe, inacabadas,
Povos berberes, rebanhos são sem fim,
Mundo há muito parado.
Animais a ajudar - é o burro, o camelo
Tufos de verde, terra que faz lembrar,
O deserto, para o sul, a começar.
Miséria adivinhada e a adivinhar.
Por outro lado, na noite da cidade,
Um espectáculo vivi que deslumbrou,
Muito se sofisticou...
Como se fossem grutas da montanha.
Trajes berberes, um toque de mistério.
Era tamanha
A expectativa, a sério!
Toques de encantamento...
São as danças, as músicas, as cores,
Os odores, os sabores
Da gastronomia,
Em boa companhia.
E, acabar, já fora, no terreiro
Jovens, após volteio alucinante,
em cavalos de raça,
Nos seus trajes nativos, de turbante,
Levam os animais a ajoelhar.
E, a avivar a memória do passado,
Ouvem-se tiros silvando ao nosso lado.
São jovens árabes, espingardeando... o ar!
Marraquexe -
É Memória que mexe...
Novembro 2005
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