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Mário Saa
Por estas serras daqui
geme um poeta vulgar:
- Ó águas doidas do mar
ó venturas que não vi!...
Que não vi nem mais verei
enquanto no mundo for,
ando caído de amor
com minha toga de rei!
Nestes píncaros de aflição,
apesar da altura boa,
falta-me o ar que atordoa,
parecem píncaros do chão...
Quem me dera andar à toa
até perder os arados
com que lavro meus cuidados,
minha estranha obcessão.
Fantasia fria e imiga,
meus gritos torvos, caluda!,
a como o ar que aveluda
a minha canção prossiga...
Os ecos nos meus sentidos
dos meus afectos doentes
são mais longos, mais compridos,
do que rastros de serpentes!
Nasci profundo e pegado
a turbilhões de aflição,
na cara trago estampado
o meu perfil de obcessão-...
Fantasia fria e imiga,
meus gritos torvos, caluda!,
a como o ar que aveluda
a minha canção prossiga:
Já não creio
que possa amar,
nem neste mundo ter jeito
de me encostar a outro leito
sem desatar a chorar...-
diz o poeta vulgar.
[Revista Tempo Presente,
nš 5, Setembro de 1959]
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