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Sílvio [João da Silva]


O CONQUISTADOR

Não se encontram em paz os Castelhanos,
Porque suportam ruidosas guerras,
Fugindo pelas frescas e altas serras,
Perseguidos por fortes Lusitanos.

Com destemor, combato os Muçulmanos,
Gentes, também, denominadas perras,
Que somente abandonam lusas terras,
Depois de lhes causar terríveis danos.

Eu me conservo uma pessoa ágil,
Mas a perna direita sinto frágil,
Depois de, em Badajoz, a ter quebrado!...

Haverá, porventura, algum guerreiro,
Embora a desferir golpe certeiro,
Que não conheça um dia amargurado?!...

D. Afonso Henriques
(1109?-1185)

[Reis do Povo Luso]

 

O DESEJADO

Não me chamem estulto, por ai,
Se perder a batalha dos Três Reis!...
E não espero receber lauréis,
Mesmo que diga: «Islão, eu te venci!...».

Pareço, mas não sou nenhum guri,
Habituado a ler esses segréis,
Mestres na criação dos ouropéis
De que pessoa experta tanto ri!!!...

Dedica-me Camões bela epopeia
Que celebra os heróis de Portugal.
Só quem possui uma excelente veia

É capaz de dotar a sua obra
De envergadura literária tal,
Que nos mares da vida não soçobra!...

D.Sebastião (1554-1578)

[Reis do Povo Luso]

 

O RESTAURADOR

Na música, mui cedo, me treinei,
Mas tanta gente o facto desconhece!...
E não componho, apenas, uma prece,
Dirigida a Jesus, Supremo Rei!...

Ainda louvo a Mãe deste Agnus Dei
Que de qualquer cristão tudo merece!...
O meu amor à Igreja reconhece
O povo que pratica a diva Lei.

Padre António Vieira, encarregado
De proferir, na Corte, as pregações,
Torna-se um literato consumado.

De excelsas qualidades exornado,
É, perante os humanos corações,
Modelo para ser bem imitado.

D.João IV
(1604-1656)

[Reis do Povo Luso]

 

Outros poetas:

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