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07/12/2006
COMEMORAÇÕES DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

Mais uma vez tivemos o privilégio de comemorar o 1.º de Dezembro, com a solenidade própria desta importante data. A história já se encarregou de, desapaixonadamente, relatar os acontecimentos e seus intervenientes em todo o pormenor e estudar os antecedentes e as consequências em profunda investigação. Sendo estatutariamente uma das datas que a Sociedade Histórica da Independência de Portugal se propõe celebrar, vem ultrapassando o tempo e as pessoas. Não é mais, e somente, o cumprimento de uma efeméride. Toda a nossa história é um milagre de Deus, bem o dizia Pinheiro Chagas, e a devoção à Virgem Santíssima uma constante. Se já em 25 de Março de 1142, D. Afonso Henriques toma Nossa Senhora por especial advogada é D. João IV quem, por real Decreto de 28 de Abril de 1646, a reafirma como Padroeira e Protectora do Reino. Os próprios Restauradores da nossa Independência instituíram, a celebrar no dia 1.º de Dezembro, uma solenidade religiosa de acção de graças, de resto em cumprimento da determinação das Cortes de 20 de Janeiro de 1641.

Este ano iniciámos as comemorações com uma Missa Solene de Acção de Graças, concelebrada pelo Padre Braula Reis (Pároco de São Domingos) e pelo Padre Duarte Cunha, membro do Conselho Supremo da SHIP.

Da parte da tarde realizaram-se as cerimónias oficiais com a tradicional homenagem aos Heróis da Restauração na Praça dos Restauradores, sob a presidência conjunta da Câmara Municipal de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Pelas 16h00, ao som do Hino Nacional, tocado pela Banda do Exército e cantado pelo Coro dos Alunos da Casa Pia de Lisboa, foi içada a Bandeira Nacional, seguindo-se a Bandeira da Restauração, também ao som do respectivo Hino. A cerimónia continuou com a deposição de flores na base do  Monumento  pelo Colégio Militar, Instituto Infante D. Afonso (antigo Instituto de Odivelas), Instituto Militar dos Pupilos do Exército, Escola Naval, Academia Militar, Academia da Força Aérea, Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, Comando Operacional do Exército, Casa Pia de Lisboa, Grupo dos Amigos de Olivença, Real Associação de Lisboa, Guião – Centro de Estudos Portugueses e Partido Popular Monárquico. Como habitualmente a deposição de flores foi encerrada pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Seguiram-se os toques de silêncio, homenagem aos mortos, e alvorada executados pela Fanfarra do Exército, terminando esta cerimónia com o arrear da Bandeira Nacional e da Restauração ao som do Hino Nacional, mais uma vez tocado pela Banda do Exército, e cantado pelo coro dos Alunos da Casa Pia de Lisboa.

Uma jovem colaboradora da SHIP, Joana Andrade, leu a mensagem alusiva ao 1.º de Dezembro, reafirmando a fé em Portugal, como País livre e independente e, de seguida, o Presidente da Câmara Municipal, Professor António Carmona Rodrigues referiu na sua alocução o significado do 1.º de Dezembro para o Portugal de hoje, exortando os portugueses a uma maior “generosidade, ousadia, confiança e espírito de servir”.

As cerimónias continuaram no Salão Nobre do Palácio da Independência, com a recepção e assinatura do Livro de Honra, pelas altas entidades civis e militares presentes, que foram saudadas pelo Presidente da Direcção Central da SHIP. Ainda houve tempo para visitar duas exposições temporárias patentes no Palácio e para ver uma actuação do Coro “Loik”, da comunidade timorense residente no Distrito de Setúbal, sob a batuta do Maestro Cornélio Vianey da Cruz. Na véspera do 1.º de Dezembro foi inaugurada no Palácio da Independência a exposição “Hinos, Marchas, Cantos Patrióticos e Obras Dedicadas”, da vasta colecção do Maestro Dr. Manuel Ivo Cruz, sócio de mérito da SHIP.

Açores
A efeméride do 1.º de Dezembro – data comemorativa da Restauração da Independência Nacional de 1640 – foi novamente celebrada na Região Autónoma  dos  Açores,  com  uma  série  de  cerimónias   solenes e   histórico - culturais que decorreram no Castelo de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira). Promovidas em conjunto pelo Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, pela Delegação nos Açores da SHIP e pelos Comandos Militares no Arquipélago, estas cerimónias solenes tiveram início pelas 9H45, abrindo com o hastear da Bandeira Nacional e a Homenagem de Honra aos Mortos pela Pátria, seguindo-se uma Celebração Eucarística na Igreja da Fortaleza com a participação do Grupo Coral da Terra-Chã. Logo após teve lugar uma Sessão Histórico - Cultural, na qual usaram da palavra o Comandante Militar dos Açores em exercício, o Delegado nos Açores da SHIP (Dr. Eduardo Ferraz da Rosa) e o Representante da República para a Região Autónoma dos Açores (Juiz-Conselheiro Dr. José António Mesquita).

Ainda integrada na mesma Sessão Comemorativa da Restauração, a convite do Delegado da SHIP nos Açores, proferiu este ano a respectiva Conferência Evocativa o Dr. Sérgio Humberto Ávila da Rocha, que abordou o tema “Restauração de Desafios: O Alargamento Europeu e o Desenvolvimento Regional”. Natural de Angra do Heroísmo (1968), o Dr. Sérgio Ávila é Licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa e foi Deputado pelos Açores à Assembleia da República, Director Regional da Solidariedade e Segurança Social, e Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Desde Novembro de 2004, é Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores.

A SHIP – que possui uma Delegação Oficial nos Açores, dirigida pelo Professor Universitário e Investigador Dr. Eduardo Ferraz da Rosa –, tem estado tradicionalmente ligada à organização e coordenação de diversas iniciativas histórico-culturais, científicas, literárias e artísticas, e bem assim à promoção de múltiplas cerimónias cívicas, nomeadamente às Comemorações Nacionais do 1.º de Dezembro e a outras Efemérides de alto significado na História e na Cultura Portuguesas, nas quais os Açores em geral e a Ilha Terceira em particular desempenharam, com grande mérito e prestígio, importantes e decisivos papéis.

Outras cidades e Macau
Em várias outras cidades portuguesas e em Macau houve actividades (almoços ou jantares de convívio, palestras, exposições e outras iniciativas de índole cultural) promovidas por delegados da SHIP ou por outras entidades com a colaboração da SHIP.

Até em Damão foi comemorado o 1.º de Dezembro. A comitiva da SHIP, que se encontra em Goa para participar nas Comemorações de mais um centenário de S. Francisco Xavier, esteve em Damão nesse dia, onde foi rezada missa em memória dos Heróis da Restauração, com a participação de muitos fiéis.

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