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Introdução

Percorrendo os Espaços do Palácio

O edifício
Azulejaria
Jardim
Painéis da Restauração

Situado no antigo centro de Lisboa, junto do Rossio e da Igreja de S. Domingos, o Palácio dos Almadas tornou-se conhecido pelos acontecimentos históricos que nele se passaram, nomeadamente o papel de alguns membros da família Almada no movimento da Restauração de 1640.

As notícias históricas sobre o Palácio surgem no século XV quando D. Fernando de Almada, capitão-mor de Portugal, e sua mulher adquirem uma propriedade ao fidalgo D. Nuno de Barbudo.Em 1509 esta mesma propriedade foi aumentada, pelo 3º conde de Almada, junto ao adro de S. Domingos e nuns quintais a norte junto à muralha fernandina (ainda hoje existente no jardim do palácio).

Em 1684 D. Lourenço de Almada alinhou, do lado do Rossio, a frontaria da sua casa tendo obtido autorização para ocupar chão público. Esta data pode ainda assinalar o início da decoração interior de azulejos mas só em 1713 o chão foi efectivamente cedido ao conde. Nesta altura terá sido construída a frontaria do Palácio com o seu aspecto maneirista e realizadas algumas decorações como a azulejaria joanina.

Tendo sido pouco afectado pelo Terramoto de 1755, foi o palácio aproveitado para recolher alguns doentes do Hospital de Todos-os-Santos, bem como outros serviços públicos como o Senado Municipal e o Tribunal da Relação após 1758. Em 1774 D. Antão de Almada, mestre-sala de D. José, regressado dos Açores voltou a habitar o palácio realizando obras de embelezamento do jardim e colocando uns painéis de azulejos alusivos à Restauração.
A família abandonou definitivamente o palácio em 1833, quando lhe foi confiscado por ter sido considerado rebelde o conde de Almada, partidário de D. Miguel. A partir de então nunca mais os Almada voltaram a residir no Rossio.

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Percorrendo os Espaços do Palácio

O edifício

Destaca-se, desde logo, na sua fachada principal, a sua frontaria, de corpo rígido e rectilíneo, maneirista, com grande severidade nas aberturas e na inexistência de grandes ornatos, bastante típica da construção civil portuguesa do século XVII e do começo do seguinte.
Chama-nos logo a atenção a porta principal que é sobrepujada por uma varanda, sendo encimada pelo brasão dos Almada do qual pendem dois festões simétricos que abraçam as cantarias.
- As armas dos Almadas: são de ouro, banda azul carregada de duas flores florenciadas e vazias de ouro, acompanhada de duas aguietas estendidas de vermelho, armadas e sancadas de negro.
Na fachada encontramos ainda 10 janelas de sacada rectangulares de duplo lintel, rematadas por cornija e providas de varandins de ferro.
O acesso ao pátio faz-se a partir do portal principal por amplo túnel em rampa coberto por abóbadas rebaixadas. No restauro de 1940 foi construída a escadaria que vemos à direita e que dá acesso a um terraço. Nesse mesmo terraço encontramos, a encimá-lo, duas chaminés de cones oitavados, ambas coroadas por merlões distintos, circundando tubo cilíndrico rematado por anel e denteado de tijolo. É um dos raros palácios que conserva chaminés monumentais de raiz quinhentista, exceptuando o Palácio de Sintra.
Estas chaminés foram durante muito tempo apontadas como monumentos alusivos à Restauração de 1640, o que levaria a que tivessem sido construídas após essa data. No entanto, graças ao estudo da planta de Lisboa de Bráunio, feito por Júlio Castilho, apurou-se que já em 1572 o Palácio ostentava as duas chaminés, sendo pois anteriores à Restauração.
Ladeando este pequeno terraço encontramos dois portais neo-manuelinos: o do lado norte em arco cairelado de 2 arquivoltas em que o interior está revestido de pequenas folhas ou escamas e o exterior tem na base 2 dragões agachados, com os pescoços em torsão de cuja cabeça se elevam colunelos lisos com enrolamentos de corda espaçados, o de Sul em arco extradorso recto composto por toro enastrado intercalado com meias-esferas .
Do lado oposto do pátio, podemos ver uma colunata toscana de 4 colunas, sendo as centrais grupadas a enquadrar portal duplo encimado por arquitrave. Encontramos também 4 janelas rectangulares de sacada com varandim de ferro.
A face norte possui uma escada que conduz a um pátio interior.
Neste pátio, que foi bastante aumentado nas obras de 1940, foram adaptadas duas colunas toscanas a suportar a cobertura do alpendre. É nele que se encontram os célebres painéis de azulejos assinados por Gabriel del Barco. Este artista nasceu em 1649 em Siguenza (Espanha) e veio para Portugal após o termo da Guerra da Restauração em 1669, ano em que casou com uma cunhada do pintor Marcos da Cruz, possível mestre de Barco.

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Azulejaria

É nesta época que a azulejaria passou a ser utilizada pelas camadas aristocráticas como complemento do ambiente mais intimo dos palácios, em grande parte construídos ou refeitosapós o fim da guerra.
O estado actual dos painéis de azulejos de Gabriel del Barco no pátio interior do nosso Palácio tira-lhes grande parte da expressão artística que teriam, pois enquanto um (o mais pequeno) ainda está relativamente legível o outro não passa de uma amálgama de peças desirmanadas. Estes são apenas fragmentos de um conjunto mais vasto, formado por vários painéis cujo destino se ignora. Um pequeno traço no azulejo adjacente permite supor que o último numero seria um 6 podendo aceitar-se assim 1696 como a data possível da execução, já que a década só pode ser a última do séc. XVII, por razões estilísticas.
O recurso à pintura azul de cobalto, cujas potencialidades plásticas e expressivas pressionaram a evolução pictural dos executantes e permitiram a definição de uma pintura especificamente cerâmica distinta da que foi realizada noutros países, possibilitou o desenvolvimento do brilhante ciclo de painéis historiados e de escala monumental que tiveram o seu período mais florescente até ao Terramoto. Esta fase evoluída da obra de Gabriel del Barco estende-se desde cerca de 1690, em que deve ter realizado os ornamentos da capela do Santo Cristo da Fala na Igreja das Albertas, Lisboa, e do Átrio da Quinta de Nossa Senhora da Conceição em Barcarena. Gabriel del Barco realizou ainda neste período variados e majestosos conjuntos de painéis, que revestem integralmente o interior de algumas igrejas, como a de S. Vítor em Braga.
Há a acrescentar que no interior do nosso Palácio existem duas salas que conservam azulejos, a que serve agora de apresentação da SHIP e é revestida de painéis figurados joaninos, e uma outra sala envolvida por um conjunto de albarradas (vasos floridos) do final do séc. XVII.

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Jardim

Ao fundo do jardim encontramos uma bacia circular donde emerge uma fonte polilobada com decoração zoomórfica manuelina sobre plinto quadrangular liso, sobreposta por uma bica de pedra representando o rosto de um anjo. Será esta, provavelmente, a fonte referenciada por vários cronistas da Restauração. No entanto, poderá ter sido ali colocada por ocasião da colocação dos painéis de azulejo.
Aqui encontramos duas salas anexas à Muralha Fernandina. Na que fica a poente foi desentaipado um amplo portal, em 1990, de estilo gótico assente na própria muralha. No séc. XVI era um terreno aforado pela Câmara. Devido às suas dimensões e características góticas será que aquele arco seria uma das portas de Santo Antão? Esta é uma hipótese mas ainda não confirmada. Ainda nessa sala existe um poço, actualmente sem vestígio de água.
À direita da fonte e dos painéis alusivos à Restauração encontra-se a outra sala que tem sido apontada como aquela onde tiveram lugar parte das reuniões dos conjurados do golpe de 1640. Os elementos destas reuniões desceriam pela escada da muralha fernandina, batendo à porta, que fica no enfiamento da mesma, teriam de mostrar a senha para terem acesso ao interior do pavilhão, (um canudo de prata, o qual possuía numa das pontas, uma mola de segredo que quando accionada tornava visível a imagem da Nossa Senhora da Conceição).

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Painéis da Restauração

O painel à direita do recinto representa a reunião dos conspiradores, que se encontram à volta de uma mesa, sentados em cadeirões estilo D. José, bem posteriores à época em questão. Uma fita na parte superior apresenta a legenda Amor Constância e Fidelidade e na parte inferior, Venturoso Citio, honrosas conferenciasem que se firmou a Redemção de Portugal.
O painel do fundo representa a ataque realizado no dia 1 de Dezembro de 1640 no Paço da Ribeira, com D. Miguel de Almeida numa varanda do Paçoa lançar o grito Liberdade, Liberdade, viva El-Rei D. João IV, enquanto no Terreiro grupos assistem ou intervêm. Sobre a fonte, a legenda Redempsão de Portugal, a Fidelidadee o amor triunfão. Embora se trate de uma reconstituição é um precioso documento sobre a indumentária do final do reinado de D. José.
O restante painel representa a procissão comemorativada Restauração. Ao centro o padre Nicolau da Maia empunha um crucifixo (que segundo a tradição abençoa a população com o braço direito despegado da cruz), acompanhado do arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha, enquanto do outro lado Álvaro Avranches a cavalo, empunha o estandarte municipal, Benedictus Dominus Deus Israel quia Vizitavit et fecit Redempsionem Plebis suae. O maior interesse do painel reside na descrição do quotidiano lisboeta do século XVIII, os seus tipos sociais e o papel preponderante que tiveram as manifestações religiosas, nomeadamente o caracter espectacular e coreográfico das procissões, como forma de garantir o domínio mental e temporal da Igreja, durante o Absolutismo.

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[O Palácio]