8.º PRESIDENTE

General António
Florêncio de Sousa Pinto
22 de Janeiro de 1877 a 18
de Fevereiro de 1890
António Florêncio de Sousa Pinto,
nasceu em Abrantes, a 27 de fevereiro de 1818,
e aos seis anos de idade ficou órfão
de sua mãe, D. Maria Manuel Benedita
da Silva Pereira Pinto.
Seu pai que, também como ele, se chamava
António Florêncio de Sousa Pinto,
foi um distinto oficial de artilharia, que
devotado ao partido liberal, teve de emigrar
para o estrangeiro.
Nestas precárias circunstancias se
encontrou Sousa Pinto, nos primeiros anos
da sua vida, e mal tendo concluído
os primeiros estudos elementares, matriculou-se
na Academia Real de Marinha, obtendo longe
no primeiro ano do curso o terceiro prémio
pecuniário.
Ao entrar em Portugal o exercito libertador,
Sousa Pinto alistou-se imediatamente, tomando
parte na defesa das linhas de Lisboa, seguindo
com o exercito ate Santarém e daí
até Évora Monte, onde se firmou
a Convenção.
Terminada esta campanha, Sousa Pinto alcançou
licença para continuar os seus estudos,
e depois de ter concluído aos dezanove
anos de idade o curso de artilharia, sendo
promovido a alferes, seguiu o curso de engenharia,
que também concluiu com distinção,
obtendo vários prémios.
Colocado em artilharia, foi nesta arma que
tomou parte nas cam-panhas da guerra civil,
da Maria da Fonte, sempre fiel a causa da
rainha.
No cerco de Almeida, em 1844, distinguiu-se
valorosamente, pelo que lhe foi conferido
o grau de cavaleiro da Torre e Espada. Depois
distinguiu-se na acção de Torres
Vedras, o que lhe valeu ser agra-ciado com
o oficiato da mesma ordem.
Fazendo parte do exercito que em 1851, sob
as ordens do rei D. Fernando, se opunha aos
revoltosos, exército que, como é
sabido, se passou para o Marechal Saldanha,
Sousa Pinto conservou-se fiel ao rei D. Fernando,
apesar de todas as instâncias e promessa
que lhe fizeram para se passar para o marechal.
Em 1851 terminaram felizmente as discussões
políticas que tinham posto o país
em armas, e Portugal entrou em período
de paz.
Começou então uma nova fase
da vida de Sousa Pinto, em que não
são menos importantes os seus serviços
como oficial inteligente e ilustrado.
Em 1856 foi encarregue de dirigir as experiências
do transporte e do tiro da nova artilharia,
e desempenhou-se com tanta eficiência
desta comissão, que foi louvado em
ordem do exército pelo próprio
marechal que contra ele se tinha pronunciado
cinco anos antes.
Em 1858 foi nomeado ajudante de campo do inspector
do Arsenal do Exército, o general Joaquim
Guilherme da Costa, passando depois a chefe
de secretaria da inspecção do
mesmo arsenal.
Em 1863 foi promovido a major do regimento
de artilharia n.º 1, e em seguida chefe do
estado maior da mesma arma.
Em 1869 subiu ao posto de tenente - coronel
e chefe do gabinete do ministro da guerra,
cargo que exerceu com os seguintes ministros:
general Maldonado, conselheiro Lobo de Ávila
(depois Conde de Valbom), duque de Saldanha,
marquês de Sá da Bandeira, general
Rego e conselheiro Fontes Pereira de Melo.
A variedade de opiniões políticas
destes ministros e a conservação
de Sousa Pinto em cargo de tanta importância,
provam cabalmente a grande confiança
que a todos merecia a sua provada lealdade.
Uma das mais frisantes demonstrações
desta confiança, é que tendo
sucedido a revolta de 19 de Maio de 1870,
sendo ministro da guerra Lobo de Ávila,
o ministro que lhe sucedeu, o Duque de Saldanha,
conservou Sousa Pinto no seu lugar de chefe
do gabinete do ministro.
Em 1873 o seu estado de saúde obrigou-o
a retirar-se daquele cargo, sendo então
nomeado chefe de repartição
dos estudos militares, onde serviu até
1876.
Neste ano foi nomeado sucessivamente general
de brigada e director geral de artilharia.
Por esta ocasião, o rei D. Fernando
nomeou-o seu ajudante de campo, dizendo-lhe:
Há vinte anos contraí
a divida que satisfaço agora.
Aludia aos serviços que lhe prestara
e que já referimos.
No exercício deste cargo se conservou
o general Sousa Pinto, até à
morte daquele príncipe, tendo recebido
dele muitas e inequívocas demonstrações
da mais intensa amizade e do mais vivo apreço.
Em 6 de março de 1877 foi nomeado ministro
da guerra, cargo que só aceitou com
a condição de o exercer interinamente.
Em 27 de dezembro de 1877 foi elevado a par
do reino.
Em 8 de julho de 1879 foi exonerado do cargo
de ministro da guerra e nomeado ministro e
secretário de estado honorário
Na digressão que o rei D. Fernando
fez por Espanha, França, Suíça
e Itália escolheu-o para o acompanhar.
Por morte de D. Fernando foi nomeado ajudante
de campo do rei D. Luiz.
Em 10 de setembro de 1885 foi promovido a
general de divisão.
Sousa Pinto foi também um escritor
elegante e erudito, ocupando-se de assuntos
militares, sendo reconhecido neles como uma
grande auto-ridade. Dedicado a Sociedade,
a fim do produto da venda reverter a favor
do seu cofre, publicou um trabalho notável,
intitulado Divagações históricas.
Durante trinta e sete anos foi redactor da
Revista Militar, onde deixou bastantes e valiosas
provas das suas belas qualidades de escritor.
São numerosos os favores que recebeu
pelos servi«os prestados.
Em 21 de Maio de 1844 foi louvado pela maneira
como coman-dou a artilharia no cerco de Almeida;
em 15 de Mar«o de 1853, pelos seus sentimentos
humanitários; em 21 de Outubro de 1856,
pelas sábias disposições
e bom emprego da força debaixo das
suas ordens; em ordem n.º 13 de 1857, pela
maneira distinta por que se desempenhou da
comissão de experiência de transporte
e tira; em 25 de Maio de 1858, pela boa disciplina
das forças debaixo das suas ordens;
em 27 de Agosto de 1861, pela maneira como
exerceu as funções de chefe
da repartição do exercito; em
4 de Agosto de 1863, pela maneira como desempenhou
0 cargo de ajudante de campo; por portaria
de 13 de Fevereiro de 1868, foi louvado especialmente
pela actividade e inteligência bem provadas,
que mostrou na comissão consultiva
sobre aquisição de bocas de
fogo; em 13 de Janeiro de 1869, pelo zelo
que empregou nos trabalhos da comissão
encarregada da organização das
reservas; em 4 de Março do mesmo ano,
pelo zelo e inteligência que desenvolveu
nos trabalhos da comissão encarregue
de escolher o me-lhor sistema de armamento
para o exercito; em 20 de Abril de 1870, pela
perícia e prontidão empregadas
no serviço do armamento das praças
marítimas, de que foi encarregado,
O general Sousa Pinto possuía as grã-cruzes
de Carlos III de Espanha, da Ordem de Ernesto
Pio de Saxe e da Ordem de S. Bento de Aviz,
era oficial de Torre e Espada, condecorado
com as medalhas da Campanha da Liberdade e
com as medalhas de ouro de valor mi-litar,
bons serviços e de comportamento exemplar.
Deve-lhe a Cruz Vermelha Portuguesa a sua
reconstituição em 1887.
Faleceu a 18 de Fevereiro de 1890.
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